Serviço Urgência

O Serviço de Urgência do Hospital Geral de Santo António, situa-se no lado poente do Edifício Dr. Luís de Carvalho, num dos extremos da Rua D. Manuel II, no Porto.

Neste espaço, atendemos cerca de 380 pessoas por dia, maioritariamente provenientes das freguesias ocidentais da cidade, mas também utentes com residência a sul do douro até Aveiro e do eixo nordeste de Portugal (Amarante, Vila Real, Bragança), quando a doença de que sofrem se enquadra na rede de referenciação em vigor e aprovada pela tutela.

Existem 8 equipas de urgência, constituídas por cerca de 40 médicos cada uma, que com a ajuda de aproximadamente um total de 90 enfermeiros (13 por turno), 60 auxiliares de acção médica (9 por turno) e 20 administrativos (2 por turno), todos os dias do ano, nas 24 horas do dia fazem o seu melhor para lidar com o impacto da afluência de utentes vindos do exterior.

O Serviço de Urgência do Hospital Geral de Santo António foi pioneiro, desde Outubro de 2000, na implementação de um sistema de triagem de prioridades; trata-se de um método, reproduzível e que é submetido a auditoria continua, para hierarquizar o atendimento. Do ponto de vista pragmático, não é possível atender todas as pessoas que acorrem ao Serviço de Urgência no mesmo espaço de tempo, daí que para manter os padrões da equidade no acesso a cuidados, foi preciso encontrar um método justo, objectivo e definido por parâmetros clinicamente seguros. Existem cinco cores ou seja poderão ser atribuídas uma de cinco prioridades, nomeadamente: emergente (tempo alvo de observação médica zero minutos, identificada pela cor vermelha), muito urgente (tempo alvo de observação médica até dez minutos, identificada pela cor laranja), urgente (tempo alvo de observação médica até sessenta minutos, identificada pela cor amarela), pouco urgente (tempo alvo de observação médica até cento e vinte minutos, identificada pela cor verde) e não urgente (tempo alvo de observação médica até duzentos e quarenta minutos, identificada pela cor azul). Pode parecer, à primeira vista, que uma cor que traduz um prioridade mais baixa (verde ou azul – pouco urgente, e não urgente, respectivamente) se reveste de alguma injustiça, uma vez que se compreende que para determinada pessoa o seu problema é em boa verdade o mais grave, porque a afecta pessoalmente, contudo, esta forma de organizar o trabalho não é mais do que alocar os recursos existentes aqueles que mais necessitam, com um método com as características que atrás se referiram.

Após a triagem de prioridades, estabeleceram-se circuitos de encaminhamento de doentes para grandes áreas de influência. A existência de áreas de acção predefinidas, área médicaárea cirúrgicaárea de ortopedia e área de clínica geral, no Serviço de Urgência, permite distribuir os doentes em tempo real, pelas zonas de menor afluência. O papel do Chefe de Equipa é, para este facto, fundamental. Esta gestão diária, no sentido de manter os tempos alvo para a primeira observação médica, após a triagem de prioridades, é um objectivo que tentamos atingir a todas as horas. Quando tal é ultrapassado, é normalmente o movimento existente aliado ao espaço físico disponível que não nos permite aumentar a velocidade do atendimento. A quantificação do problema está disponível também em tempo real, e deve-se à informatização global do Serviço de Urgência.

O Serviço de Urgência do Hospital Geral de Santo António é, desde Outubro de 2004, o primeiro Serviço de Urgência de um hospital central, universitário e polivalente em Portugal, que funciona sem registos em papel, apresentando todos os circuitos de informação encerrados na utilização de uma aplicação informática. Ou seja, tudo o que é registado sobre um determinado utente fica gravado numa base de dados a que se pode aceder posteriormente. Também inovador neste processo de automatização de registos, foi a questão do acesso ao sistema, isto é, todos os funcionários acedem ao sistema através da identificação da sua impressão digital, não existindo palavras passe. Este processo, considerado desde a sua implementação como dos mais avançados na área dos registos clínicos e administrativos, garante uma confidencialidade inequívoca aos registos efectuados.

Sobre esta informatização e automatização do SU, encontram-se algumas mais valias para o utente que se podem caracterizar por: possibilidade de o médico que está a observar o doente poder aceder a todo o seu histórico, incluindo os episódios de urgências anteriores, os resultados dos vários exames anteriormente realizados (análises, radiografias, ecografias, TACs, ressonâncias magnéticas nucleares entre outros), e as medicações instituídas com os respectivos efeitos terapêuticos que foram observados. Esta questão aliada a uma identificação sem qualquer margem para dúvida de quem fez o quê e a quem, constitui um factor de elevada segurança para o utente, isto é, apesar de as garantias totais serem do âmbito das ciências excitas, a possibilidade de erro é deveras minimizada com o sistema de registos e organização de trabalho que se encontra em vigor.

Como parte integrante de um hospital com a acreditação total (HQS – Health Quality System), o Serviço de Urgência do Hospital Geral de Santo António valoriza de sobremaneira as questões relacionadas com a qualidade organizacional; assim, a sua melhoria contínua é uma questão essencial na vida do Serviço. Neste âmbito são recebidas e analisadas todas as sugestões que os utentes ou familiares queiram deixar, através dos mecanismos próprios, designadamente a utilização do livro de reclamações e sugestões existente no Serviço (secretariado administrativo de admissão de doentes).

Salienta-se que o fornecimento de informações sobre utentes em tratamento, e dado o movimento que normalmente estamos sujeitos, poderá não ocorrer ao ritmo eventualmente desejado pelos familiares, por tal facto pedidos desculpa antecipadamente referenciando que tal constitui um problema e ao mesmo tempo um desafio que tentamos colmatar na vivência de todos os dias e com os recursos que temos disponíveis.

No sentido de esclarecer todos os potenciais utentes referenciamos também que pelo espaço físico de que dispomos, não nos é permitido autorizar a entrada dos familiares ou acompanhantes, facto que também pedimos desculpa; com a excepções de utentes menores, ou que tenham dificuldades de comunicação manifesta, ou naquelas situações em que é necessária a presença de um familiar junto do profissional de saúde, não podemos concretizar o desejo de acompanhamento para dentro das instalações do Serviço de Urgência, por parte do familiares ou acompanhantes.

Não obstante o mencionado anteriormente, temos a consciência de que um Serviço de Urgência é uma fonte de potenciais e frequentes disfunções e de uma imprevisibilidade constante; assim, e para o potencial utente que passou os olhos por estas linhas, deixamos também uma mensagem de grande humildade e consciência, de quem tenta sinceramente fazer o melhor que consegue, dados os condicionalismos existentes, sobre eventuais momentos de maior afluência e volume de trabalho que possam surgir, numa altura que nos possa vir a solicitar ajuda.

Muito obrigado.